sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Resenha #08 - As doze tribos de Hattie

Título: As doze tribos de Hattie
Autora: Ayana Mathis
Editora: Intrínseca
Gênero: Drama | Romance
Número de páginas: 224
Ano: 2014
Avaliação:
Em 1923, aos quinze anos, Hattie Shepherd deixa a Geórgia para se estabelecer na Filadélfia, na esperança de uma vida melhor. Mas se casa com um homem que só lhe traz desgosto e observa indefesa quando seu casal de gêmeos sucumbe a uma doença que poderia ter sido evitada com alguns níqueis. Hattie dá à luz outras nove crianças, que cria com coragem e fervor, mas sem a ternura pela qual todos anseiam. Em lugar disso, assume o compromisso de preparar os filhos para as calamitosas dificuldades que certamente enfrentarão e de ensiná-los a encarar um mundo que não os amará nem será gentil. Contadas em doze diferentes narrativas, essas vidas formam a história da coragem monumental de uma mãe e da trajetória de uma família.
Belo e inquietante, o primeiro romance de Ayana Mathis é assombroso do início ao fim — épico, angustiante, imprevisível, vibrante e cheio de vida. Uma história envolvente e cativante, um retrato marcante de uma luta tenaz diante de adversidades insuperáveis e uma celebração da resiliência do espírito humano. As doze tribos de Hattie é um romance de estreia de rara maturidade.
As doze tribos de Hattie, escrito por Ayana Matthis e publicado aqui no Brasil pela editora Intrínseca, é um drama que fala sobre a batalha de uma mãe pela sobrevivência de sua família em um período onde o preconceito racial ainda era predominante e dividia a população entre pessoas brancas e negras, determinando qual seu papel na sociedade e quais seriam suas limitações até mesmo de território.

O livro tem início em 1925 e término em 1980. São cinquenta e cinco anos acompanhados na trajetória da família de Hattie que nos mostram uma mãe prática e objetiva, que conhece muito da vida e se preocupa apenas em manter seus filhos vivos mesmo que em situações precárias. Porém esse mesmo fator a torna uma pessoa fria para com os próprios filhos e pessoas a sua volta.

O principal foco do livro é mostrar ao leitor o quanto uma infância frágil e exposta pode influenciar no decorrer da vida de uma criança e em suas ações futuras. O quanto a falta de afeto materno pode destruir os sonhos de uma criança, mas principalmente mostra até que ponto uma mãe pode chegar pelos seus filhos.

Hattie a nossa protagonista, é uma mulher que já sofreu muito na vida e justamente por isso se tornou uma mulher guerreira e batalhadora, que vai a luta e enfrenta tudo por seus filhos sem pestanejar. É uma mulher de fibra e seu único defeito é um orgulho bobo que não a deixa ceder e se deixar ser ajudada em momentos cruciais. Mas que por outro lado é um divisor de águas em sua personalidade forte.

O livro é dividido em dez capítulos, cada um deles é narrado por um dos filhos de Hattie. As histórias porém não se intercalam por conta dos rumos diferentes que a vida de cada um dos personagens toma, mas um ou outro acaba sendo citado durante a trajetória do narrador em questão e traz ao leitor uma sensação de mais proximidade entre eles mesmo com a distância.

Gostaria de ressaltar a vocês que pretendem adquirir esse livro que o mesmo não se trata de uma história de vida simples, alegre, pacata e feliz... mas sim de uma história profunda e cheia de sentimento sobre pessoas que superaram o preconceito, lutaram pelos seus ideais e conseguiram  de certa forma alcançar seus objetivos.

Devo dizer que apesar da densidade toda que envolve esse livro foi uma leitura bem agradável! A autora soube dosar muito bem as cenas mais dramáticas com momentos mais felizes e motivadores tornando a leitura bem fluída. Todos os personagens foram muito bem desenvolvidos e no final eu fiquei querendo me tornar amiga de todos eles apesar de seus desvios de caráter no caso de alguns, e de suas maluquices no caso de outros...

 Infelizmente dessa vez eu tenho uma reclamação quanto a diagramação e edição, algo bem raro diga-se de passagem! E eu só vou faze-la por que foi algo que realmente me incomodou muito durante a leitura. Diversas palavras estão trocadas entre si em várias frases, e em alguns casos a falta delas é evidente. E apesar de não ter atrapalhado o entendimento do conteúdo no geral, é algo que deve ser revisto pela editora em próximas edições!

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