quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Resenha #11 - Hibisco Roxo

Resultado de imagem para hibisco roxoTítulo: Hibisco Roxo
Autor: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Romance
Número de páginas: 328
Ano: 2011
Avaliação:
Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país.
Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.

Hibisco roxo é um romance escrito pela autora Chimamanda Ngozi Adichie, ele foi publicado aqui no Brasil pela editora Companhia das Letras e nele nós acompanhamos a vida de uma jovem nigeriana nascida em berço de ouro que não vive exatamente a realidade que projetamos pra tais famílias. 

Kambili é uma jovem de poucas palavras que não expressa muito seus sentimentos e vive dentro de sua própria bolha enquanto que ao lado dos pais, e ao longo da narrativa de sua história o motivo desse silêncio, assim como o de seu irmão Jaja, é mostrado ao leitor de forma muito sutil.

Ela e seu irmão vivem cercados por regras e rotinas aplicadas severamente pelo seu pai, que os castiga de forma brutal por meros "delitos" e infrações que possam cometer em relação a essa forma de educação que lhes é imposta. É nesse cenário que a intolerância religiosa se mostra presente como forma de respaldo para as ações desse pai inescrupuloso.

A mãe de Kambili, por sua vez, é outra vítima nessa história. Ela se vê muita das vezes de mãos atadas em relação ao tratamento que os filhos recebem por parte do pai, por ser ela também sofredora dos mesmos atos covardes vindos do próprio marido. Ela pensa que tudo que pode fazer é acalentar os filhos e convencer a si mesma de que aquela situação é normal e totalmente comum, não devendo assim interferir nos atos de seu marido.

Ifeoma a irmã de Papa é uma pessoa bem diferente dele. Ela é uma professora universitária que tenta ensinar à suas alunas o valor da independência financeira servindo ela própria de exemplo, pois sendo ela viúva, cria seus três filhos sozinha e não se deixa abater pelas privações básicas do dia a dia. Ela é uma personagem muito forte e destemida que vai fazer toda a diferença na vida de Kambili e Jaja, é ela quem vai incentivar os sobrinhos a pensarem por si e agirem de forma mais natural.

Amaka uma de suas filhas, é minha personagem favorita por sua autenticidade, ela me ganhou principalmente por não ter papas na língua. Instruída pela mãe Ifeoma, ela sempre diz o que pensa e aproveita cada momento que tem para questionar sobre tudo e todos a sua volta, além de sempre manter um sorriso no rosto. No começo ela implica um pouco com Kambili e eu cheguei a acha-la um pouco arrogante por suas atitudes, mas em nenhum momento ela deixa de ser uma boa pessoa.

Um dos fatores predominantes para meu apego emocional em relação a esse livro foi a narrativa em primeira pessoa. Kambili é uma excelente narradora e como a escrita da autora é bem singela a leitura vai se tornando cada vez mais pessoal e íntima. O crescimento pessoal além da estruturação de cada um dos personagens é outro fator. Eles iniciam a trama com uma personalidade formada e totalmente distinta e vão se moldando conforme as situações vividas, não é como se eles mudassem da água para o vinho do dia pra noite, tem todo um processo por trás de cada mudança e isso torna a história bem convincente.

Através desse livro eu pude adentrar ainda mais em uma realidade ao qual eu conhecia apenas superficialmente, e foi algo que eu realmente apreciei. A escrita de Chimamanda é quase que poética e as questões por ela levantadas nesse livro não podem ser simplesmente ignoradas. Essa é sem dúvidas uma leitura obrigatória para aqueles leitores que buscam algo mais real e digno de debates na literatura.

3 comentários:

  1. Parece ser maravilho relação familiar em livros quase sempre é complicada e isso deixa sempre aquele suspense no ar do que será que vai acontecer.. Não lembro de ter lido um livro em primeira pessoa.

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  2. Livros sobre relações familiares conflituosas, questões religiosas, culturais e raciais... que combinação explosiva! Fiquei bastante interessado em conhecer mais a fundo o romance. Abraços e parabéns pelo post!

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  3. Relacionamento familiar é sempre um assunto que prende nossa atenção!!!
    Atitude linda a da mãe, na impotência ela acolhe e acarinha!!!
    Com certeza colocarei este livro na minha lista!!!
    Excelente resenha!!!
    bjks
    #ClickFB
    http://www.sociedadedoesmalte.com.br/2016/09/sweet-pea-ilnp.html

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