quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Divulgação: Cromossonhos

Hoje eu trago pra vocês o Prefácio do livro Cromossonhos do autor Emerson Sarmento publicado pela Penalux. Vocês podem adquirir o livro através do site da Editora.

Prefácio do livro
Acasos. Foram os acasos que me levaram a prefaciar meu segundo livro de poemas. Talvez seja a vida me pregando uma irônica peça e rindo maviosamente atrás de algum muro a me observar enquanto escolho as palavras certas, enquanto penso na receptividade para com os leitores nesta porta de entrada para o universo do Cromossonhos.

Quando passei a pensar neste livro – ainda sem título – quis expor aos leitores meu DNA poético, colocar para fora o que habita organicamente por dentro e além da minha epiderme, dar ordem na bagunça interna e organizar tudo no lado de fora para que fosse tudo compreensível ao tornar concreto meus devaneios, meus sentimentos, minhas angústias, meu eu político e filosófico.  Toda gestação desse desejo me levou a entender que com a poesia tudo isso seria possível.  Talvez essa necessidade quase que anatômica tenha merecido o nome escolhido ao título, um neologismo que faz referência ao cromossomo com a intenção de gerar minha própria sequência de DNA e vários genes, outras sequências de nucleotídeos desempenhando o mecanismo funcional das células do ser vivo – enquanto poeta. 

No meu primeiro livro Perfume do Sangue optei por me prender a métrica do soneto sobretudo por um gosto muito pessoal ao ritmo, à forma e à estética que tanto me chamam a atenção. Neste segundo livro não consegui e, na verdade, não quis sair das formas clássicas, não obstante, me aventurei além das formas fixas e pulei de paraquedas num laboratório que eu nem sabia que existia em mim e arrisquei os versos livres no intuito de compor meu próprio ritmo, minha própria identidade num gênero que outrora foi julgado "poema menor" no ponto de vista parnasiano.                                                                                                                  
Admito que também cultivei um certo preconceito com os versos livres até o momento em que me permiti conhecer mais a fundo as obras de Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Manoel de Barros e entre outros... eu pude perceber que a poética do verso livre também poderia ter poemas maiores, pois, não há facilidade alguma em criarmos nossa própria estética e nosso próprio ritmo, a forma clássica já está estabelecida é só colocar as palavras na fôrma. Não, não estou desmerecendo a forma primeira que me acolheu nas minhas andanças corriqueiras de poeta, apenas percebi outros caminhos que a poesia me proporcionou.

Tenho notado ao longo de minhas leituras alguns críticos da poesia clássica utilizar a premissa que geralmente as estruturas clássicas tem mais técnica e pouco sentimento, como aconteceu com o próprio Bandeira no poema "Sua santidade Paulo VI" um soneto encomendado por um Cardeal ao poeta para homenagear o Papa; as críticas apontadas foram exatamente essas, técnicas sem sentimento, como se a alma do poeta estivesse ausente na sua criação, como se fosse uma bela arquitetura sem a sua função primeira.

Eu, particularmente, nas formas clássicas, sempre busquei expor o "eu sou" porque para mim o sentimento é a base da construção de um poema, caso contrário, seria uma engenhoca sem substância, logo, sem funcionalidade. O "eu posso", é justamente a parte vazia do poema é lá que preencho as lacunas com minhas catarses, nunca utilizei o " eu posso" por carência de ego. O poeta precisa pisar em solos desconhecidos, jogar grãos e esperar um tempo para saber o que irá colher, por isso adoto o pensamento de Mário de Andrade quando diz que "o indivíduo sendo poeta de verdade, escreve por qualquer estética e a poesia sempre interessa".  

Cromossonhos, no aspecto estrutural, está entre o clássico e o moderno, já que sinto uma confortável harmonia numa mistura em que alguns críticos chamariam de "perda de unidade", mas não concordo.  Minha intenção foi justamente o contrário: abraçar dois mundos antagônicos e civilizá-los numa unidade onde cada qual exerce seus mecanismos em perfeita simetria.

Os grãos foram jogados em terras desconhecidas até então, agora preciso ter paciência e esperar os frutos desse cultivo. A poesia tem o poder de explorar o íntimo do ser humano, tem o poder de muitas vezes ser o refúgio da realidade catastrófica lá fora. Da janela espia-se os tormentos cotidianos na alma. A fuga é precisa, e é exatamente essa minha verdadeira intenção a partir das minhas impressões e sentimentos, receber a todos. Podem entrar! Ah, só um aviso: não precisam tirar os sapatos, fiquem à vontade e não na vontade! 

Gênero: Contos | ISBN: 978-85-5833-100-5 | Ano: 2016 | Formato: 14x21 | Páginas:  84 | Pólen Bold 90gr

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